As alterações climáticas, uma maior seletividade no investimento e as mudanças nos padrões de consumo estão a dar origem a uma transformação estrutural do setor vinícola global.  Esta é uma das conclusões do The Wealth Report, o relatório anual da Knight Frank, consultora imobiliária global independente de referência, da qual a portuguesa Quintela & Penalva é associada desde 2021.

Segundo este estudo, as regiões de maior altitude estão a ganhar uma enorme relevância devido à sua produção de vinhos leves, frescos e menos alcoólicos. Em Portugal, é o caso do Douro e do Dão, que primam pelo seu reconhecimento internacional, mas não são as únicas regiões em destaque. Em França destacam-se as regiões de Anjou, Saumur e Touraine, no Vale do Loire, na Alemanha, as regiões de Mosel, Rheingau e Pfalz, na Áustria Kamptalm Kremstal, Wachau e Burgenland, em Itália, o Alto Adige e Friuli, perto dos Alpes Suíços e, no Reino Unido, em todas as regiões. 

Bairrada, Vinho Verde e Lisboa são as regiões a ter em conta

Referidas no The Wealth Report como “Regions to Watch”, tanto a Bairrada, conhecida pelos seus tradicionais espumantes e vinhos com uma elegante acidez, como Lisboa, onde existe uma grande diversidade de estilos, como os Vinhos Verdes, são regiões atlânticas assinaladas neste relatório como novos pontos de referência do setor vinícola global.

Estas três regiões demarcadas portuguesas, vistas pelos enólogos como áreas onde os seus vinhos podem adquirir um carácter fresco e moderno, de forma a colmatar as mudanças nos modelos de consumo, entram no radar mundial para a aposta em vinhos frescos e menos alcoólicos, indo ao encontro das novas tendências de consumo.

Portugal coloca-se, assim, como um dos principais candidatos a liderar uma nova fase do setor vinícola, onde o investimento em vinhos e vinhas se tornou algo de extremo interesse para aqueles que procuram investir estrategicamente em áreas com grande oportunidade de valorização.

Carlos Penalva, sócio fundador da Quintela + Penalva l Knight Frank, afirma que “estas regiões vitivinícolas têm estado a atrair novos investidores, nomeadamente estrangeiros, que procuram propriedades com charme e vinhas que possam dar resposta a esta nova tendência do mercado”.

O estudo conclui ainda que em paralelo ao decréscimo do consumo de vinho por parte das gerações mais novas, aqueles que continuam a ser consumidores regulares, optam por comprar produtos de maior qualidade, muitas vezes, artesanais, em vez de produtos de consumo massificado. Adicionalmente, os segmentos premium do setor registam grandes crescimentos com a procura pela qualidade e autenticidade do vinho.

 

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